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A exposição Visibilidade para o Futebol Feminino chega para provocar nossa maneira de contar a história do futebol brasileiro. O que consagramos? O que deixamos esquecido por décadas? O que sabemos sobre a participação feminina no esporte mais popular do Brasil? Ouvimos nosso público e fomos buscar informações nas mais variadas fontes, incluindo os preciosos arquivos pessoais das atletas. Para o Museu do Futebol é uma grande honra incluir em seu acervo as estórias de mulheres que batalharam pelo direito de jogar bola e não haveria melhor lugar para apresentar as novidades do que em nossa exposição principal. Há ainda um longo caminho a percorrer para que consigamos retraçar a origem dos primeiros times e as trajetórias das pioneiras nesse esporte no Brasil. Essa exposição é apenas o começo e não é nossa única ação.

Nosso Centro de Referência do Futebol Brasileiro está preparado para digitalizar e organizar referências sobre o futebol feminino. Para isso, contamos com a parceria do Centro de Memória do Esporte da UFRGS que desde 1997 trabalha pela preservação e divulgação do esporte brasileiro. Todos os meses, no Auditório do Museu do Futebol, recebemos especialistas a fim de debater temas importantes para a modalidade. E nosso Educativo preparou roteiros e atividades para dialogar com todos.

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Há uma imensa desigualdade no tratamento de homens e mulheres na história do futebol no Brasil e isso não se dá ao acaso. Por mais de quatro décadas, as mulheres foram oficialmente proibidas de jogar bola. Tudo começou com um Decreto-Lei em 1941, durante o Estado Novo, que as proibiu de praticarem esportes “incompatíveis com as condições de sua natureza”. Cabia ao Conselho Nacional de Desportos – CND – a regulamentação do decreto, ocorrida em 1965, quando se explicitou a proibição do futebol, do futsal e de outros esportes às mulheres. O Decreto foi extinto em 1979 e a nova regulamentação do CND ocorreu em 1983. É quando surgem diferentes equipes no Brasil. Em 1988, houve a primeira convocação oficial da Seleção para disputar a 1ª. Copa do Mundo FIFA em 1991. Em 2015, vamos para o sétimo mundial sonhando não somente com a Taça, mas, sobretudo, com melhores condições para as jogadoras profissionais no Brasil.

Este projeto busca tornar mais conhecida a história das mulheres que lutaram pelo direito de jogar bola. Compartilhamos a curadoria com atletas que nos indicaram imagens representativas de suas carreiras e abriram seus arquivos pessoais para o Museu torna-los públicos por meio do seu Centro de Referência, visando à ampliação das fontes de pesquisa, quase nulas no país. Nas bandeiras que dão movimento à fachada do Estádio do Pacaembu, estampamos 24 jogadoras que atuaram na seleção desde a primeira geração. Homenageamos duas poetisas do início do século XX, as primeiras a transpor a emoção do jogo em poesia. Mostramos o pioneirismo de mulheres em outros espaços que não apenas no campo de jogo. Retratamos o início do futebol feminino no Reino Unido, França e Estados Unidos, onde há registros de jogos de mulheres desde 1881.

Incluímos tudo isso no nosso acervo principal.

É aqui que essa história deve aparecer ao público, pela primeira vez, no Museu do Futebol.

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