O Museu

Mais do que sobre esporte, o Museu do Futebol é, antes de tudo, um museu sobre a história do povo brasileiro. Um museu cercado pelos mistérios da euforia que todos temos pela bola, pelo drible, pelo chute e pelo gol. Entre no feitiço de como um esporte inglês, branco e de elite, aos poucos ganhou novos traços: tornou-se brasileiro, popular, mestiço e uma das mais reconhecidas manifestações culturais do nosso país. Visitar o Museu do Futebol é percorrer o Brasil do século XX e perceber como nossos usos, costumes e comportamentos são inseparáveis da trajetória desse esporte. O futebol tem o encanto de abrir nossos olhos para valiosas questões da história. Toda essa cápsula do tempo está instalada num dos mais bonitos estádios brasileiros, o Estádio Municipal Paulo Machado de Carvalho – mais conhecido como Estádio do Pacaembu -, localizado em frente à Praça Charles Miller, em São Paulo. A iniciativa é do Governo do Estado e da Prefeitura de São Paulo – por meio da Secretaria Municipal de Esportes e da São Paulo Turismo – com concepção e realização da Fundação Roberto Marinho. O Museu do Futebol integra a rede estadual de museus de São Paulo. A concepção inicial do Museu do Futebol reuniu de forma integrada as três dimensões que constituem um museu: arquitetura, museografia e conteúdo. Interligados, cada conceito teve um papel fundamental no projeto.

Arquitetura

Instalado em uma área de 6.900m2, o Museu do Futebol preserva em suas linhas originais um imponente patrimônio público e revela a arquitetura do Pacaembu. A escolha do estádio é alinhada do ponto de vista arquitetônico e urbanístico porque preserva, recupera e dá novo uso a um edifício já existente. Articulando o Museu com a Praça Charles Miller, a proposta do arquiteto Mauro Munhoz está localizada no edifício frontal do estádio, projetado pelo arquiteto Ramos de Azevedo, na década de 1930. O térreo representa o espaço de transição entre o interior do Museu e o exterior da praça. O projeto arquitetônico revela as estruturas do estádio, seu avesso e interiores. Cada sala deixa aparente a estrutura de concreto do teto – que na verdade são as arquibacandas do estádio -, e mostra seu conteúdo por entre o ziguezague das escadarias.

conteúdo

O Museu do Futebol foi concebido como uma sequência de experiências lúdicas, que relacionam o esporte e a vida brasileira no século XX. Um verdadeiro “parque temático” em torno da paixão que o futebol desperta. Nos três andares que ocupa do Pacaembu, o Museu do Futebol constrói uma narrativa específica para o visitante. Os pilares em que se formula seu projeto – arquitetura, conteúdo e museografia – foram integrados para transmitir ao público três conceitos que norteiam a visita: emoção, história e diversão. Esses conceitos agrupam várias salas do Museu, e, ao mesmo tempo, se misturam nos mesmos espaços. O time responsável pelo conteúdo foi liderado por João Máximo e contou com os jornalistas Celso Unzelte e Marcelo Duarte.

museografia

A proposta de Daniela Thomas e Felipe Tassara, a direção de arte de Jair de Souza e a curadoria do jornalista Leonel Kaz transformaram o Museu do Futebol num espaço contínuo, que se desconstrói à medida que perpassamos cada sala. Para tanto, o Museu se compõe de estruturas semelhantes ao mobiliário urbano e a obras públicas. As paredes são de materiais brutos como ferro, aço, outros metais e madeiras – como as que sustentam a estrutura de um edifício em construção e depois são descartadas. Aqui, contudo, esses materiais dão sentido ao conteúdo das salas e existem para fixar as realidades vividas durante o século do futebol no Brasil.