A concepção inicial do Museu do Futebol reuniu de forma integrada as três dimensões que constituem um museu: arquitetura, museografia e conteúdo. Interligados, cada conceito teve um papel fundamental no projeto.

Arquitetura

O Museu do Futebol preserva em suas linhas originais um imponente patrimônio público e revela a arquitetura do Pacaembu. A escolha do estádio é alinhada do ponto de vista arquitetônico e urbanístico porque preserva, recupera e dá novo uso a um edifício já existente.

Articulando o Museu com a Praça Charles Miller, a proposta do arquiteto Mauro Munhoz está localizada no edifício frontal do estádio, projetado pelo arquiteto Ramos de Azevedo, na década de 1930. O térreo representa o espaço de transição entre o interior do Museu e o exterior da praça. Aí estão o auditório, um café-restaurante e a loja do Museu.

O projeto arquitetônico revela as estruturas do estádio, seu avessos e interiores. Cada sala deixa aparente a estrutura de concreto do teto – que na verdade são as arquibacandas do estádio -, e mostra seu conteúdo por entre o ziguezague das escadarias.

Conteúdo

O Museu do Futebol foi concebido como uma sequência de experiências lúdicas, que relacionam o esporte e a vida brasileira  no  século  XX.  Um  verdadeiro  “parque temático” em torno da paixão que o futebol desperta.

Nos três andares que ocupa do Pacaembu, o Museu do Futebol constrói uma narrativa específica para o visitante. Os pilares em que se formula seu projeto – arquitetura, conteúdo e museografia – foram integrados para transmitir ao público três conceitos que norteiam a visita: emoção, história e diversão. Esses conceitos agrupam várias salas do Museu, e, ao  mesmo tempo, se misturam nos mesmos espaços. O time responsável pelo conteúdo é liderado por João Máximo e conta com os jornalistas Celso Unzelte e Marcelo Duarte.

Museografia

A proposta de Daniela Thomas e Felipe Tassara e a direção de arte de Jair de Souza transformaram o Museu do Futebol em um espaço contínuo, que se desconstrói na medida em que cada sala é perpassada. Para tanto, o Museu é composto por estruturas semelhantes ao mobiliário urbano e a obras públicas.

As paredes são feitas de materiais brutos como ferro, metais, aços, madeiras – como as que sustentam a estrutura de um edifício em construção e depois são descartadas. Aqui, contudo, elas dão sentido ao conteúdo das salas e existem para fixar as realidades vividas durante o século do futebol no Brasil.